Translate

sábado, 23 de maio de 2015

Os dois lados da moeda. por: Ana Cecilia Santos.



Segue a entrevista de uma educadora que tem um filho especial.


    No dia 02 de agosto, dei a luz a um lindo menino, que nasceu grande e gordo e eu como já havia feito com minhas outras duas filhas contei os dedos da mão e do pé para garantir que ele era perfeito. 
Ele era um bebê diferente eu confesso, não chorava por nada, nem quando estava com fome, mas como eu tinha uma filha com pouco mais de um ano, achava isso muito bom.
   Enquanto os filhos das minhas amigas com 7 meses engatinhavam, meu filho não fazia nada, só virava de bruços, quando com 8 meses para minha surpresa ele levantou e andou, como se sempre houvesse feito isso!
   Com dois anos ele não falava e eu preocupada o levei ao médico que me disse que isso era normal, e que os meninos se desenvolvem mais devagar do que as meninas, meu filho disse a primeira palavra aos 3 anos e 5 meses, o que me deixou aliviada, pelo menos mudo ele não era!
   Quando ele começou a frequentar a escola é que realmente a diferença de desenvolvimento ficava mais evidente, enquanto os colegas pintavam e desenhavam com 5 e 6 anos ele só rabiscava como se tivesse 2 anos. Ele era frequentemente vítima de bullyng e alguns funcionários da escola o chamavam de maluco, por que ele ficava correndo de um lado para o outro sem parar e a professora o colocava para fora da sala de aula, por que pra ela ele não iria aprender nada e só iria atrapalhar.
   Então eu procurei uma psicóloga amiga da minha família, que nos encaminhou a um psiquiatra no Rio de Janeiro, que me deu o seguinte diagnóstico, meu filho lindo tinha Autismo!
   Quando eu pensava em Autismo, eu achava que era aquela criança babando que ficava olhando para o nada. Então ele me explicou que o Autismo é um distúrbio que podem ocasionar várias alterações de comportamento e que meu filho tinha a forma mais branda da doença.
   No começo foi muito difícil, mas Deus colocou no nosso caminho anjos que me ajudaram à ajuda-lo, meu filho foi alfabetizado aos 9 anos, na Escola Municipal Maria Jácome de Mello, onde foi “adotado” por toda a equipe e hoje está no 6º ano, tem ótimas notas, menos em matemática, mas e daí, ninguém é bom em matemática e em 36 anos de vida eu nunca usei o Pi pra nada! Ele tem amigos e eu só recebo elogios pela sua educação e sua gentileza, sei que temos dias difíceis por que como todo adolescente, as vezes ele é impossível.
   Minha experiência com meu filho eu uso todos os dias quando estou na sala de aula, pois agora como educadora já tive alunos com diversas deficiências e eu acho que o que falta às vezes nos profissionais é a informação e vontade, por que fico muito orgulhosa em dizer que nunca deixei nenhum aluno desprezado no pátio por que ele não conseguia acompanhar os outros colegas, como fizeram com o meu filho, e posso dizer que os resultados são animadores, o desenvolvimento é espantoso e o carinho que eu recebo dos alunos e a gratidão dos pais, compensa qualquer dificuldade que eu possa enfrentar durante o ano letivo.
     Eu posso garantir uma coisa eu ainda não sei nada, e é por isso que as pesquisas e estudos são constantes, por que a principal ferramenta de um professor nas dificuldades do dia a dia é a informação. Temos que ser um pouco de tudo, professor, psicólogo, fisioterapeuta, etc, fora que a gente educa o aluno e na maioria das vezes os pais também, que se sentem a vontade para nos contar as vezes até problemas pessoais que influem na vida do aluno.
    Outro grande problema é o diagnóstico, que demora muito para ser feito, quando a deficiência é como o Autismo, que não tem nenhuma sequela física, no caso de qualquer deficiência o diagnóstico precoce é a garantia de um tratamento logo no começo da vida da criança. Hoje na escola pública principalmente, existem vários alunos com algum distúrbio que não são diagnosticados e encaminhados para o acompanhamento correto e acabam desistindo da escola e sendo tachados de forma grosseira pela sociedade.
    Essa foi a minha história, não é tudo por que a cada dia que passa eu escrevo um novo capítulo, por que eu sou a orgulhosa mãe e educadora de vários alunos especiais, e o preconceito é a arma dos ignorantes e só acaba com a informação.
  


Nenhum comentário:

Postar um comentário